Olá, leitor! ☕
Confira os destaques da semana na edição #149 da CRI Insights:
Olá! Spoiler, essa semana vamos ver alguns números que já projetam o futuro da nossa região.
Essa semana falamos sobre a fundação do Senna Tower, que consumiu concreto suficiente para dois prédios de 50 andares, a alça da BR-101 que entra nos últimos ajustes em Itapema, o leilão de um terreno que vai financiar reformas de escolas em BC, as melhorias em oito espaços esportivos. E fechamos com o novo FipeZAP, que está sendo lido de um jeito, mas conta outra história.
Mercado Imobiliário
Litoral catarinense entra em fase de estabilidade e mantém 4 das 5 posições do topo

O Índice FipeZAP de agosto mostra quatro cidades catarinenses entre as cinco com o metro quadrado residencial mais caro do Brasil. Itapema aparece em segundo, com R$ 15.403/m², seguida por Balneário Camboriú, com R$ 15.343/m². Florianópolis ocupa a quarta posição, com R$ 13.531/m², e Itajaí a quinta, com R$ 13.354/m². O ritmo, porém, ficou mais moderado: Itapema praticamente estável (-0,002%), Balneário Camboriú com alta de 0,31%, Itajaí 0,40% e Florianópolis 0,52%. O índice geral acumula valorização de 5,49% no ano, acima do IPCA do período (4,14%).
Vale ler esses números com atenção, porque eles contam duas histórias ao mesmo tempo. Enquanto cidades como Vila Velha (15,12%), Jaboatão dos Guararapes (13,68%) e Manaus (11,42%) lideram a valorização percentual em 12 meses, o litoral catarinense já opera em outro patamar, o de preço absoluto consolidado. Como observa o especialista Bruno Cassola, a análise não deve olhar apenas quem valoriza mais em um ano, mas quais mercados conseguem preservar patrimônio, manter demanda e sustentar valor ao longo dos ciclos econômicos. Percentual alto costuma vir de base baixa; é mais fácil crescer 15% quando se parte de R$ 6 mil o metro do que quando se parte de R$ 15 mil. Estabilidade em um patamar elevado não é estagnação, é o que acontece quando um mercado deixa de ser promessa e vira referência.
Projeto do Morro do Careca prevê trem de montanha e novo estacionamento

O Executivo protocolou na quinta-feira (10), em regime de urgência, o Projeto de Lei nº 180/2026, que autoriza novas estruturas no Complexo Turístico Morro do Careca, na Praia dos Amores. A proposta prevê a implantação de um funicular, o trem de montanha ao longo da Rua Padre Antônio Vieira, ligando um novo edifício de estacionamento ao alto do morro. A estação de embarque integrará um prédio de até 35,46 metros de altura, com vagas para veículos, motocicletas, bicicletas e patinetes, em área de 3.055,64 m² na Rua Sérgio Millet incorporada ao complexo. A edificação principal passa de 18,50 para 22,55 metros, viabilizando o uso da cobertura como rooftop. O ConCidade aprovou por unanimidade o prosseguimento dos trâmites, condicionado ao cumprimento de recomendações técnicas e à aprovação do Estudo de Impacto de Vizinhança.
O ponto que organiza a leitura está nas atas: o projeto responde a uma obrigação judicial de garantir acessibilidade ao morro, com prazo até 17 de outubro de 2027, no âmbito de ação civil pública movida pelo Ministério Público contra o município. Ou seja, o funicular não é atração turística que virou obrigação, é obrigação que ganhou formato de atração. E a diferença importa para quem acompanha o bairro: acessibilidade universal, organização do fluxo de visitantes e estacionamento estruturado mudam a relação da Praia dos Amores com o próprio cartão-postal. Vale registrar que o texto ainda tramita na Câmara, que o contrato de concessão terá de ser repactuado em até 90 dias após a publicação da lei, e que nenhum documento apresentado estabelece data de inauguração do complexo.
Economia
Terreno leiloado em área valorizada vai financiar reformas de escolas em BC

Balneário Camboriú vai destinar mais de R$ 19 milhões obtidos com o leilão de um terreno municipal em área supervalorizada para reformas e ampliações de unidades escolares da rede.
O mecanismo merece atenção porque é raro. Municípios costumam tratar patrimônio imobiliário como reserva parada ou como moeda de troca pontual; converter um ativo valorizado em investimento de longo prazo na rede de ensino é decisão de gestão patrimonial, não de caixa. E há uma lógica direta com o mercado: o valor daquele terreno só existe porque a cidade se valorizou, e parte desse ganho volta em equipamento público. Para quem avalia onde comprar, qualidade da rede escolar é um dos critérios que mais pesam em mudança definitiva e um dos que menos entram na conversa de investimento.
Obras e infraestrutura
Oito espaços esportivos recebem melhorias em BC

Oito espaços esportivos de Balneário Camboriú receberam melhorias, com investimento de cerca de R$ 47 mil.
É a menor cifra desta edição, e talvez por isso valha o registro. Enquanto a cidade movimenta bilhões em fundações e leilões, R$ 47 mil mantêm oito quadras utilizáveis nos bairros ,o tipo de manutenção que nunca vira manchete e que define a experiência cotidiana de quem mora longe da orla. Uma cidade se mede tanto pelo que constrói quanto pelo que conserva.
Fundação do Senna Tower consome concreto de dois prédios de 50 andares

A etapa de fundação do Senna Tower foi concluída com 798 estacas de cerca de 40 metros de profundidade, aproximadamente 30 quilômetros de estrutura fixada na rocha. Ao todo, foram mais de 12 mil metros cúbicos de concreto, o equivalente a 1.500 caminhões-betoneira, e 1,8 mil toneladas de aço: material suficiente para erguer dois edifícios de 50 andares. O bloco central, de 1.660 m², recebeu 7.740 m³ de concreto, e mais de 1.600 toneladas de gelo foram usadas na mistura para manter a temperatura média em 24°C. O estaqueamento usou o sistema Auger Cast, desenvolvido pela própria FG, e uma perfuratriz italiana com a maior hélice contínua já utilizada no Brasil, o que reduziu o prazo previsto de 120 para 70 dias úteis.
O detalhe do gelo é o mais revelador de todos. Concreto em grande volume libera calor ao curar, e se a temperatura sobe demais a estrutura trinca, por isso 1.600 toneladas de gelo entram na mistura para segurar o material a 24°C. É engenharia que o comprador nunca vai ver e que define se o edifício se comporta bem por décadas. Some a isso o vergalhão CA70, desenvolvido em parceria com a USP e cerca de 40% mais resistente que o convencional, e fica claro o que Balneário Camboriú acumulou nos últimos anos: não é um estoque de terrenos, é conhecimento técnico. Essa capacidade instalada é um ativo da cidade, não de um empreendimento.
Insight da Semana | O que a estabilidade está preparando

Quando uma manchete diz que Itapema ficou estável, a leitura não apressada é de que o litoral catarinense perdeu força. O número diz outra coisa. Percentual alto quase sempre vem de base baixa, é mais fácil crescer 15% partindo de R$ 6 mil o metro quadrado do que partindo de R$ 15 mil. Itapema e Balneário Camboriú seguem em segundo e terceiro lugar no país em preço absoluto, com Florianópolis e Itajaí completando o top 5.
O que o mercado costuma observar é que ano eleitoral pesa. Decisões de investimento de maior porte tendem a ser adiadas até que o cenário se defina, e o setor imobiliário sente isso na velocidade das negociações, não nos preços, que se mantêm. É uma leitura de mercado, não uma certeza, mas ajuda a explicar a acomodação que o índice mostra.
Enquanto isso, a região não parou de se preparar. Balneário Camboriú avança na reurbanização da Praia Central, no muro de proteção costeira e na macrodrenagem. Itajaí tem seis projetos assinados para a Praia Brava e um pacote bilionário em discussão para o porto.
Nenhuma dessas obras entrega valor hoje todas entregam a partir de 2027.
É essa combinação que interessa a quem compra. Um mercado que segura preço durante um período de menor liquidez, ao mesmo tempo em que qualifica sua infraestrutura, costuma chegar do outro lado em posição melhor do que entrou. A hora em que o índice desacelera raramente é a hora em que o ativo perde valor. É, com frequência, a hora em que ele fica mais acessível.

☀️ Fechamento
Continue acompanhando nossa newsletter para saber tudo sobre o mercado imobiliário e novidades do litoral norte catarinense, o mercado que mais cresce no Brasil.
Até a próxima 👋
