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Confira os destaques da semana na edição #148 da CRI Insights:
Começamos setembro com tudo e o ano está voando, né? Mais uma mês de muito movimento no litoral norte catarinense, mais um mês da CRI Insights com você!
Essa semana falamos sobre a indústria náutica que colocou Itajaí na liderança nacional, as mil obras ativas de Itapema, a construtora de BC que vê São Paulo virar 20% de suas vendas, a valorização de 130% de um empreendimento entregue no bairro Fazenda, a nova identidade do Swiss Club, a primeira feira do bairro dos Pioneiros e os R$ 1,1 bilhão em projetos que empresários da região decidiram bancar do próprio bolso. Essa última rende o insight desta edição, porque diz muito sobre quem está planejando o futuro daqui.
Mercado Imobiliário
Itapema ultrapassa mil obras ativas e mantém ritmo elevado

Itapema tem 1.008 obras de construção civil ativas registradas no Cadastro Nacional de Obras da Receita Federal, segundo levantamento da plataforma CaptaObras até 20 de agosto. No histórico do cadastro, o município soma 3.130 obras. O maior grupo em andamento é o de residenciais multifamiliares, com 494 registros, seguido por obras comerciais (215) e residenciais unifamiliares (189). Há ainda 57 galpões industriais. O informe de agosto do FipeZAP mantém a cidade com o segundo metro quadrado mais valorizado do país, a R$ 15.403, à frente de Balneário Camboriú (R$ 15.343), Florianópolis (R$ 13.517) e Itajaí (R$ 13.354).
Há um segundo dado no levantamento que merece atenção: as obras iniciadas no primeiro semestre caíram 17% na comparação anual, 93 contra as do mesmo período de 2025. O próprio estudo pondera que o cadastro admite registros retroativos, então o número ainda pode subir. Mas a leitura preliminar é interessante para quem compra: um mercado com mil canteiros abertos e menos lançamentos novos tende a caminhar para um ciclo de entregas, não de expansão. Se o movimento se confirmar, a oferta futura fica mais escassa justamente na cidade com o segundo m² mais caro do Brasil.
Empreendimento entregue em Itajaí acumula valorização de 130%

O Vista Mare, residencial de alto padrão da Lotisa no bairro Fazenda, em Itajaí, foi entregue na sexta-feira (21). Apartamentos comercializados por R$ 1,3 milhão em 2023 chegaram a R$ 3 milhões na entrega, valorização de cerca de 130%. São 69 unidades, com plantas de 95 m² a 195 m² e até três suítes. A alta acompanha o desempenho do próprio bairro, que registrou mais de 70% de valorização no ano passado, segundo a Brain Inteligência Estratégica. Com esta entrega, a incorporadora ultrapassa 300 unidades concluídas em 2026.
O dado relevante aqui não é o percentual do empreendimento, é o do bairro. O Fazenda fica em frente à Beira-Rio, perto da marina, e não é praia, é um bairro consolidado, urbano, com comércio, escolas e serviços. Uma alta de 70% em uma região assim mostra que a valorização de Itajaí deixou de depender exclusivamente da faixa de areia. Para quem compra, isso amplia o mapa: em cidades litorâneas maduras, os bairros que combinam vista, infraestrutura urbana e proximidade do centro tendem a se comportar como frente-mar, com preço de entrada menor.
Economia
Itajaí quase dobra exportação de iates e lidera o mercado nacional

Itajaí movimentou R$ 44,4 milhões em exportações de barcos e iates de luxo, quase o dobro do registrado no período anterior, e assumiu a liderança nacional no segmento. O desempenho consolida a cidade como principal polo brasileiro de exportação de embarcações de alto padrão.
Vale entender o que esse número representa. Indústria náutica de luxo não é comércio nem turismo, é manufatura de altíssimo valor agregado, que exige engenharia, marcenaria fina, sistemas elétricos complexos e mão de obra que leva anos para se formar. Quando uma cidade lidera esse mercado no país, o que ela tem instalado não é uma fábrica, é um ecossistema. E é esse tipo de economia que sustenta demanda imobiliária o ano inteiro, independentemente de temporada: profissionais qualificados, empresas fornecedoras e uma cadeia de serviços que não fecha as portas em abril.
Empresários bancam projetos de R$ 1,1 bilhão para Itajaí e BC

Empresários das duas cidades estão financiando a elaboração de projetos técnicos para obras de infraestrutura consideradas estratégicas, em iniciativa coordenada pelo Instituto Mais Itajaí e pelo Instituto +BC. Entre as propostas estão a ligação entre as rodovias Antônio Heil e Jorge Lacerda, estimada em R$ 290 milhões; a readequação do trevo da BR-101 com a Jorge Lacerda, em cerca de R$ 380 milhões; o Acesso Sul, nova ligação entre a BR-101 e a Praia Brava, orçado em R$ 150 milhões; e o futuro Terminal de Cruzeiros de Itajaí, avaliado em R$ 300 milhões e previsto na nova concessão do porto. Os grupos discutem ainda a ampliação das marginais da BR-101 entre Navegantes e Tijucas e a reurbanização da Avenida Brasil, em BC, sem valor definido. A intenção é entregar os projetos prontos aos municípios para que o poder público execute.
O modelo é o ponto. Não se trata de pedir obra ao governo, mas de chegar com o projeto técnico feito e pago, o que costuma ser o gargalo real, já que licitar sem projeto executivo é o que trava intervenções por anos. Para quem acompanha a Praia Brava, o item a observar é o Acesso Sul: uma nova ligação direta com a BR-101 mudaria a lógica de deslocamento de um bairro que hoje depende de rotas concentradas. Como sempre, vale a distinção que fazemos aqui, projeto financiado não é obra contratada. Mas é o passo que costuma vir antes.
Eventos
Swiss Club lança nova identidade em Balneário Camboriú

O Swiss Club apresentou sua nova identidade visual e reforçou o posicionamento voltado a experiências em Balneário Camboriú. O clube integra o mesmo grupo do Lido di Mare, na Praia do Estaleirinho e opera no segmento de lazer e hospitalidade de alto padrão na cidade.
Reposicionamento de marca costuma ser assunto de agência, mas aqui ele diz algo sobre o mercado. Clubes de perfil premium têm papel específico em cidades litorâneas de alto padrão: são o espaço que sustenta a vida social fora da temporada e que dá ao morador um motivo para permanecer entre abril e novembro. Quando um operador desse tipo investe em reposicionamento e ampliação de proposta, é sinal de que enxerga demanda constante, não sazonal, o que conversa diretamente com o perfil de quem compra segunda residência e passa a usá-la o ano inteiro.
Bairro dos Pioneiros ganha sua primeira feira

O bairro dos Pioneiros, em Balneário Camboriú, recebe neste domingo a sua primeira feira, com produtores e expositores locais reunidos em um novo ponto de encontro para os moradores da região.
Uma feira de bairro não movimenta milhões, mas é um bom termômetro. Feira permanente só se sustenta onde há moradores fixos suficientes para comprar toda semana e os Pioneiros, um dos bairros mais tradicionais de BC, ganha aqui um equipamento de convivência que praças e calçadas sozinhas não entregam. É a camada mais discreta da qualificação urbana, aquela que não aparece em anúncio de lançamento mas define como se vive em um endereço nos outros seis dias da semana.
Insight da Semana | Quem está planejando a região

Obra de infraestrutura raramente trava por falta de dinheiro. Trava por falta de projeto. Sem projeto executivo não há licitação e é assim que uma ligação viária necessária passa uma década sendo discutida sem sair do papel.
Foi esse gargalo que empresários de Itajaí e Balneário Camboriú decidiram atacar, pagando a elaboração dos projetos técnicos de obras que somam até R$ 1,1 bilhão, para entregá-los prontos aos municípios. O raciocínio por trás importa: mobilidade precisa ser planejada de forma integrada, porque o fluxo de veículos entre Navegantes, Itajaí, BC e Tijucas ignora os limites municipais.
Para quem compra na região, fica um sinal difícil de ignorar. Quando o setor privado antecipa a conta de projetos que só darão retorno daqui a anos, está dizendo onde acredita que a região vai estar. Vale a ressalva de sempre, projeto financiado não é obra contratada, mas é o passo que costuma vir antes.

☀️ Fechamento
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