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Confira os destaques da semana na edição #152 da CRI Insights:
Um domingo importante para o Brasil e com muita (mas muita) notícia interessante sobre o litoral norte catarinense. Antes de exercer o seu direito de cidadão, vamos às pautas que movimentaram o litoral nesta última semana.
Essa semana falamos sobre o ranking do metro quadrado que voltou a mudar, os R$ 3,95 bilhões movimentados por Porto Belo, a WEG elevando seu investimento em Itajaí, o superávit bilionário do município, a antiga sede do Bradesco que vira residencial de luxo, Balneário Camboriú em primeiro lugar do Brasil em qualidade da saúde, o Morro do Careca apresentado à comunidade, a torre de 557 metros e a Praça do Dominó em Itapema, o Natal que vai ocupar 7 km da Avenida Atlântica. E fechamos com dois números desta semana que, lidos juntos, mudam a forma de olhar para Itapema e Porto Belo.
Mercado Imobiliário
BC supera Itapema por R$ 29 e volta ao 2º lugar do m² mais caro do país

O relatório do Índice FipeZAP publicado na quinta-feira (1º), com os preços de setembro, recolocou Balneário Camboriú como a cidade mais valorizada de Santa Catarina: R$ 15.369 por metro quadrado. No ranking nacional, a cidade aparece em segundo, atrás apenas de Vitória (R$ 15.905). Itapema ficou em terceiro, com R$ 15.340, diferença de apenas R$ 29. Florianópolis (R$ 13.607) e Itajaí (R$ 13.453) completam o grupo catarinense entre os metros quadrados mais caros do país, e o levantamento aponta valorização também em Blumenau e Joinville.
O dado mais interessante, porém, não é o ranking é o que o relatório sugere sobre o que vem pela frente. Segundo o especialista Bruno Cassola, as novas possibilidades abertas pelo microzoneamento devem favorecer a entrada de apartamentos compactos e ultracompactos nos próximos lançamentos de BC.
Durante cerca de duas décadas, as regras urbanísticas limitaram a presença de unidades menores, concentrando a oferta em apartamentos amplos e de alto padrão. O próprio FipeZAP reforça o movimento: em setembro, apartamentos de um quarto registraram o maior preço médio por metro quadrado do país, R$ 12.260, e foram o tipo que mais valorizou em 12 meses, com alta de 7,48%. Na prática, é uma mudança de lógica, unidades menores exigem valor total mais baixo, alcançam um público maior e, ao mesmo tempo, trabalham com metro quadrado mais alto. Para quem olha BC e enxerga uma barreira de entrada de 150 ou 200 m², esse é o sinal de que a porta pode estar prestes a se abrir em outro formato.
Porto Belo movimenta R$ 3,95 bilhões em vendas de lançamentos

Porto Belo movimentou R$ 3,95 bilhões em vendas de lançamentos imobiliários, segundo levantamento da plataforma de inteligência de mercado DWV. O desempenho confirma a trajetória que o município vem construindo: com pouco mais de 32 mil habitantes, a cidade acumulou valorização de 127% no metro quadrado entre 2020 e 2026, saindo de R$ 5,5 mil para cerca de R$ 12,5 mil, e já havia registrado R$ 2,5 bilhões em vendas de imóveis novos e lançamentos apenas no primeiro semestre deste ano, com 2.850 unidades comercializadas.
O número que explica o fenômeno não é o VGV, é a liquidez. Porto Belo não vende muito porque os imóveis são caros, vende muito porque o ticket de entrada ainda é acessível diante do padrão do Litoral Norte, e porque a cidade reúne algo raro: bairros planejados de grande escala, orla preservada e proximidade de Itapema e Balneário Camboriú. Para quem compra, isso configura um perfil específico de oportunidade, um mercado em formação, com valorização acelerada e estoque amplo, que opera em uma lógica diferente das praças já consolidadas. São movimentos complementares dentro do mesmo corredor, não concorrentes.
Antiga sede do Bradesco no Centro de Itajaí vira residencial de luxo

A construtora itajaiense NF recebeu as chaves do terreno de cerca de 2,5 mil m² no Centro de Itajaí onde funcionava a agência 330 do Bradesco, um dos endereços mais disputados da cidade, vendido após uma concorrência que durou quase nove meses e envolveu, além do valor, critérios como o uso futuro do espaço e a preservação de elementos históricos. O prédio foi sede do Banco Inco, o primeiro banco de Santa Catarina e peça importante na formação econômica de Itajaí, e abrigava a agência do Bradesco desde 1965. O nome do novo empreendimento faz referência às duas histórias, e a fachada histórica será preservada e incorporada à nova construção.
O detalhe que merece registro é o critério da concorrência: a preservação do patrimônio pesou na escolha do comprador, não só o valor da proposta. Em uma região acostumada a demolir para construir, ver uma fachada de 1953 ser condição de negócio, e não obstáculo, é um sinal de amadurecimento. Para o Centro de Itajaí, que vem recebendo projetos de alto padrão enquanto o mercado da cidade se expande para além da orla, é também a chance de crescer sem apagar a própria memória.
Economia
WEG eleva investimento para R$ 330 milhões em megafábrica de baterias

A WEG aumentou o aporte em sua megafábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias, elevando o investimento para R$ 330 milhões. Quando noticiamos o projeto em agosto, o valor contratado junto ao BNDES era de R$ 280 milhões, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027 e capacidade de até 2 GWh por ano.
O aumento é o dado. Empresa não eleva aporte em quase 20% sobre um projeto já contratado por entusiasmo, eleva porque a demanda projetada subiu ou porque decidiu ampliar escala antes mesmo de operar. Para Itajaí, o efeito é o mesmo que já apontamos: uma fábrica desse nível de automação atrai engenheiros, técnicos e cadeia de fornecedores, e esse perfil de profissional escolhe onde morar considerando escola, saúde e qualidade urbana. É assim que a economia produtiva vira demanda habitacional, não pelo anúncio, mas pelas pessoas que ele traz junto.
Itajaí arrecada R$ 2,5 bilhões e fecha oito meses com superávit de R$ 547 milhões

Dados apresentados em audiência pública na Câmara de Vereadores mostram que Itajaí arrecadou R$ 2,5 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, com despesas de R$ 1,95 bilhão e superávit orçamentário de R$ 547 milhões. O município registrou ainda resultado primário positivo de R$ 241,1 milhões e Receita Corrente Líquida Ajustada de R$ 3,18 bilhões no acumulado de 12 meses. A dívida consolidada era de R$ 232,8 milhões, apenas 7,30% da RCL.
O número que importa é o último. Dívida equivalente a 7% da receita corrente líquida é uma folga grande, o limite legal é muito superior, e municípios endividados costumam operar perto do teto. Na prática, significa capacidade real de investir e de captar crédito para infraestrutura sem comprometer o caixa. É o mesmo tipo de indicador que levou Porto Belo à nota máxima na Capag e que aparece por trás das obras que a região vem anunciando. Saúde fiscal não vira manchete, mas é ela que separa o projeto anunciado da obra entregue.
Eventos e turísmo
Torre de 557 metros em Itapema avança e seria a mais alta das Américas

A proposta de uma torre turística de 557 metros em Itapema avançou mais uma etapa: segundo o perfil Radar Imobiliário SC, o projeto da GPC Empreendimentos teria recebido parecer técnico favorável do Comando da Aeronáutica. Se autorizada, a estrutura seria 7 metros mais alta que o Senna Tower, a terceira maior torre de observação do mundo e a mais alta das Américas. O investimento estimado é de R$ 300 milhões, em área próxima ao Terminal Rodoviário. O projeto prevê cinco pavimentos de experiências no topo, com mirante de piso de vidro, museu e lojas ligados ao futuro detentor dos naming rights, restaurante com reserva, praça de alimentação, espaço para eventos e atrações radicais, passarela externa, tirolesa vertical e cadeira de queda livre com óculos 3D.
Antes de qualquer empolgação, o essencial: a proposta ainda precisa passar por análise da Prefeitura, audiência pública e processo licitatório. A administração municipal trata o projeto como estudo técnico preliminar de viabilidade, submetido ao Conselho Gestor de Concessões e PPPs. Dito isso, o movimento em si já diz algo. Itapema vem sendo lida pelo metro quadrado e pela construção civil; uma torre de observação é um ativo de natureza diferente, não gera unidade para vender, gera motivo para visitar.
Viva o Natal BC ocupa 7 km da Atlântica e acende em 11 de novembro

A decoração do Viva o Natal BC 2026 vai se espalhar por cerca de 7 quilômetros da Avenida Atlântica, com estruturas em 119 postes de iluminação pública e 563 árvores, 682 elementos só na orla, além da Praça Almirante Tamandaré. Ao todo serão 17 locais decorados, incluindo Praça Higino Pio, Praça do Pescador, Praça da Bíblia, molhes da Barra Sul e do Pontal Norte, calçadão da Avenida Central, Avenida Brasil, Quinta Avenida, Avenida das Gaivotas no Ariribá e as rótulas da Terceira Avenida e da Avenida do Estado. A Prefeitura lançou licitação com valor máximo de R$ 9.237.768,19, teto, não custo final, já que a disputa será pelo menor preço global. A sessão pública acontece em 14 de outubro, às 10h, pelo Compras.gov.br. A empresa vencedora cuidará de montagem, infraestrutura elétrica, manutenção, testes e desmontagem, e terá até 9 de novembro para concluir a instalação. A decoração fica acesa de 11 de novembro de 2026 a 6 de janeiro de 2027, pouco mais de 50 dias.
Obras e infraestrutura
Morro do Careca é apresentado à comunidade e o Plano Diretor limita a Praia dos Amores

Em reunião comunitária na noite de segunda-feira (28), a Prefeitura apresentou o projeto do Complexo Turístico Morro do Careca aos moradores da Praia dos Amores. A Volare Empreendimentos Turísticos, responsável pelo empreendimento, detalhou a proposta e respondeu às dúvidas: estão previstos novos mirantes, uma passarela suspensa de vidro, espaços de alimentação, atrações de turismo de aventura e a modernização da rampa de voo livre. Segundo o prefeito em exercício, Nilson Probst, os recursos provenientes do Estudo de Impacto de Vizinhança serão destinados a melhorias no próprio bairro.
O relator do projeto no Conselho da Cidade, Valdir de Andrade, afirmou que o colegiado deu concordância à proposta, com condicionantes voltadas à qualidade de vida. O encontro contou com a Associação de Moradores da Praia dos Amores (AMPA), cujo presidente, Michel Benedetti, avalia que o projeto pode ampliar o turismo e trazer benefícios à comunidade.
Itapema assina ordem de serviço da Praça do Dominó

A Prefeitura de Itapema assinou na quarta-feira (30) a ordem de serviço para a construção da Praça Edgar Von Buettner, conhecida como Praça do Dominó, no Centro, com investimento de R$ 307.925,78. Localizada entre as ruas 145 e 147, na servidão de acesso à praia, a área hoje subutilizada vai ganhar salão, churrasqueira, sanitários, área externa revitalizada e estruturas de acessibilidade. Durante a assinatura, o tesoureiro da Associação do Dominó destacou que a obra atende a uma reivindicação antiga dos frequentadores.
Trezentos mil reais é a menor cifra desta edição, e é justamente por isso que vale o registro. Enquanto Itapema discute uma torre de 557 metros e disputa o metro quadrado mais caro do país, uma servidão de acesso à praia vira espaço de convivência para quem já joga dominó ali há anos. Cidade boa de morar é feita das duas coisas. E vale notar o detalhe: o espaço não foi inventado pela prefeitura, foi reconhecido, o uso já existia, e a obra apenas o qualifica.
Insight da Semana | Vender caro e vender muito não são a mesma coisa

| Itapema e Porto Belo são vizinhas, separadas por poucos quilômetros de BR-101. Esta semana as duas apareceram nos dados por motivos opostos.Itapema tem o terceiro metro quadrado mais caro do Brasil, R$ 15.340. Porto Belo movimentou R$ 3,95 bilhões em vendas de lançamentos, com metro quadrado que subiu 127% em seis anos e ainda assim custa cerca de R$ 12,5 mil. Uma vende caro. A outra vende muito. Os dois números medem coisas diferentes, e é aí que a maioria das análises se perde. Preço alto mostra onde o mercado já chegou; volume de vendas mostra onde ele ainda está entrando. Em Porto Belo, uma cidade de 32 mil habitantes, foram 2.850 unidades só no primeiro semestre, gente comprando porque o valor de entrada ainda cabe no orçamento de quem foi ficando de fora de Itapema e de BC. Não é competição, é sequência. O comprador que não alcança o metro quadrado de Itapema hoje é o mesmo que compra em Porto Belo, e que, em cinco anos, vai ter visto seu imóvel seguir o caminho que a vizinha já fez. Quem olha só o ranking de preço enxerga duas cidades disputando. Quem olha os dois dados juntos enxerga um corredor em formação. |

☀️ Fechamento
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